
No final da década de 1990, era difícil encontrar alguém que não tivesse ouvido falar da Legião Urbana. Com vários sucessos emplacados ao longo de mais de 10 anos de estrada, a banda conquistava adolescentes e pais com suas letras bem acabadas e arranjos variando entre a influência punk e o pop venal. Em meio a um estrondoso sucesso, um nome se destacava nos encartes e nos créditos dos discos: Renato Russo.
Jovem ainda, Renato Russo faleceu em 1996, vítima de complicações relacionadas à AIDS. Deixou para trás um grande acervo ao lado da Legião Urbana, mas não sem antes presentear seu público com projetos solo, dentre os quais destaca-se o caprichado "Equilibrio Distante".
Gravado em 1995 e lançado no ano seguinte, o disco trazia Renato Russo interpretando magistralmente belíssimas canções em italiano, acrescidas de um interessante acabamento em papel (havia o CD em caixa plástica, mas a capa de papel era bem mais comum), além de fotos antigas de pessoas que viveram na Curitiba do início do século XX e ilustrações renascentistas de Carlo Maratta, Guido Reni, Rosso Fiorentino e Francesco Albani.
Lançado pela EMI-Odeon e produzido por Carlos Trilha e pelo próprio Renato Russo, o CD continha pérolas como "Gente", "Dolcissima Maria", "La Força Della Vita", "Piú o Meno", "La Vita È Adesso", além da versão de "Como Uma Onda", de Lulu Santos e Nelson Motta (num sumpler com o clássico da bossa nova "Wave"), "Wave/Come Fa Un'Onda". Nas rádios, emplacou "La Solitudine" e "Strani Amori".
Pode-se presumir que Renato Russo quis homenagear a origem italo-brasileira de sua família quando idealizou "Equilibrio Distante". Pode-se dizer também que, ciente de sua molétia capital, encontrou no CD uma maneira de presentear seus fans. Pode-se até dizer que se tratava de um simples trabalho pessoal, como o enfadonho "The Stonewall Celebration Concert" (o CD em inglês, de 1994), e que Renato não esperava vender as 1 milhão de cópias que vendeu. Pode-se deduzir, pode-se afirmar o que quiser. Uma coisa, no entanto, é inquestionável: Renato Russo nos brindou com um disco maravilhoso, cujo "equilíbrio" não era "distante" e, sim, perfeito.
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