sexta-feira, 24 de junho de 2011

Seção Cult: "Druuna", de Paolo Serpieri


Druuna certamente não se casaria na igreja e provavelmente não estaria interessada numa vaga como secretária executiva de uma multinacional. Druuna não mimaria os filhos porque não os teria. Druuna é suja, pervertida, promíscua – mas, acima de tudo, Druuna é dona de uma sensualidade que toda a mulher gostaria de ter. Muito conhecida entre os fans de quadrinhos adultos e musa da turma que curte heavy metal, a personagem é criação de Paolo Serpieri. Nas histórias futuristas de Druuna, uma doença apavora a humanidade, uma vez que o vírus da moléstia tem a capacidade de transformar humanos em mutantes sexualmente pervertidos. Nesse mundo de umbrais depravados e redutos da orgia, Druuna se submete à prostituição como forma de obter antibióticos capazes de ajudar o namorado, mais uma vítima da doença.
Serpieri desenvolveu a trama entre 1985 e 2003 nos álbuns "Morbus Gravis", "Druuna - Obsessão", "Creatura", "Mandragora", "Aphrodisia" e "O Planeta Esquecido". Existe ainda uma edição rara, de 1981, que apresentou a personagem pela primeira vez. Porém, em todos os álbuns, o traço perfeito de Serpieri se faz presente, tanto na riqueza de detalhes em cada quadro quanto nas aventuras erotizadas de Druuna – não raro, sadomasoquistas, pervertidas e explícitas.
Não é leitura para quem tem estômago fraco e muito menos pode ser recomendada a menores de 18 anos. Talvez por isso Druuna seja o tipo de quadrinhos dos mais cultuados, ainda que pouco conhecido do grande público. Todavia, entre as experiências quase alucinógenas de Druuna e a realidade científica que a envolve, o leitor certamente se delicia com o roteiro envolvente e as ilustrações impecáveis de Paolo Serpieri: juntos, criador e criatura culminam numa das mais bizarras e bem acabadas obras-primas do universo HQ.
Site oficial:
http://www.druuna.net/

Nenhum comentário:

Postar um comentário